segunda-feira, 11 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
Exército abre espaço para religiões de matriz africana e indígenas
7/09/2011 11:42:00 PM
Y.Valentim
e contra a intolerância. Pela primeira vez desde 1920, representantes das religiões de matrizes africanas participaram da comemoração da Páscoa Militar, organizada pela representação do Exército em Salvador (a VI Região Militar).
O evento foi no Quartel da Mouraria e contou com a participação de sacerdotes e sacerdotisas ilustres das religiões afro-brasileiras em Salvador, como Tata Anselmo do Mokambo; Babá PC do Oxumaré; Ebomi Nice de Oyá da Casa Branca; professor Jaime Sodré; Tata Eurico; Tata Esmeraldo Emetério, dentre muitos outros. Dentre os representantes de outras religiões, destaque para o querídissimo pastor Djalma Torres, que tem um belíssimo trabalho na área de promoção do diálogo interreligioso, e o pastor Fernando Carneiro que segue este caminho também.
A vitória é do Neafro (Núcleo de Estudos das Religiões Afro Indígenas do Exército) que surgiu no ano passado já sob a inspiração do Nafro-PM (Núcleo de Estudos das Religiões de Matrizes Africanas da Polícia Militar da Bahia) .
Há seis anos, liderados pelo tata de inquice e bravo sargento Eurico Alcântara, um grupo de PMs procurou o comando da PM para questionar o porquê das religiões de matriz africana não ter representação num congresso religioso da corporação. Receberam a resposta que eles não estavam organizados. Eles então pediram a autorização e o grupo que era formado por apenas seis aumentou em um mês para 200 PMs que declararam seu pertencimento afrorreligioso.
A experiência e sucesso do Nafro PM serviu de base para o surgimento de uma associação parecida na PM de São Paulo e agora no Exército. Já há, inclusive, a mobilização para ações semelhantes também na Marinha e Aeronaútica.
Para saber mais sobre o evento leiam a matéria de Maria Rocha publicada na edição de hoje de A TARDE (1º caderno, pg. A5).
terça-feira, 5 de julho de 2011
Aprovado projeto que concede título de Cidadã Baiana à atriz Neuza Borges
7/05/2011 10:48:00 PM
Y.Valentim
A Assembléia Legislativa da Bahia aprovou, na noite desta terça-feira (05), projeto que concede título de Cidadã Baiana à atriz catarinense Neuza Borges, que interpreta a Dalva, na reprise da novela “O Clone” da TV Globo. Segundo o deputado estadual Bira Corôa (PT-BA), autor da proposta, “a luta da Bahia negra ganha mais força ao homenagear uma atriz que se destaca como militante pela igualdade racial no Brasil, denunciando a discriminação sofrida por atrizes negras na televisão brasileira”.
Para o parlamentar, que preside a Comissão de Promoção de Igualdade na Casa, a artista, aos 72 anos e 35 anos de carreira, é um dos grandes ícones negros da dramaturgia brasileira. Antes de estrear na televisão – na telenovela "Venha ver o sol na estrada", com Márcia de Windsor, na TV Record – Neusa Borges foi crooner de orquestra em casas noturnas de São Paulo; passou pela extinta TV Tupi e hoje, global, coleciona prêmios por sua atuação no Cinema e em tramas de sucesso na TV, como “Escrava Isaura”, “Dancin' Days” e “A Indomada”.
UFMA apura denúncia de racismo na instituição
7/05/2011 09:45:00 PM
Y.Valentim
Em petição pública, alunos denunciam o professor de Cálculo Vetorial por humilhar na frente de todos um colega africano da turma; dentre os insultos, o docente sugeriu ao discente que 'voltasse à África'
SÃO PAULO - A administração da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar denúncias, partidas de estudantes do curso de Engenharia Química, sobre atitudes supostamente racistas do professor José Cloves Verde Saraiva contra o africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial.Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal. Na petição pública feita pelos alunos*, eles afirmam: "Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba humilhando-o na frente de todos os alunos.
Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que 'tirou uma péssima nota'. Por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria 'voltar à África' e que deveria 'clarear a sua cor'.
Em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição 'Está tudo errado' e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega relacionando com o palavrão 'No c.'; disse que o colega é péssimo aluno por que 'somos de mundos diferentes' e que 'aqui, diferente da África, somos civilizados' inclusive perguntando 'Com quantas onças já brigou na África?'.
Nuhu não retruca nenhuma das agressões e está psicologicamente abalado, motivo pelo qual solicitamos que esta instituição tome as providências que a lei requer para o caso".
O reitor Natalino Salgado afirmou que "é lamentável a ocorrência de fatos dessa natureza em qualquer instância pedagógica, ainda mais em uma universidade pública, como a UFMA", e que, segundo ele, "vivencia dias de grandes conquistas no processo de inclusão social e de acordos internacionais que favorecem a mobilidade estudantil, assim como a docente". "Temos pautado nosso trabalho no respeito e na dignidade humana; e não partilharemos de atitudes que se caracterizem em retrocesso e vergonha para a nossa sociedade.
Os estrangeiros, assim como todos os outros estudantes, têm o nosso apreço e respeito. Vamos continuar honrando os acordos educacionais e culturais assumidos pela Universidade e pelo Governo Brasileiro com outros países", disse.
Segundo ainda nota divulgada pela reitoria, "a UFMA disponibiliza anualmente duas vagas de cada curso, no período diurno, para o PEC-G, Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, que oferece oportunidades de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais.
Desenvolvido pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação, em parceria com universidades públicas - federais e estaduais - e particulares, o PEC-G seleciona estrangeiros, entre 18 e 25 anos, com ensino médio completo, para realizar estudos de graduação no país".
Em retratação pública em relação à interpretação do ocorrido pelos alunos, o professor pediu desculpas. Sobre as denúncias, Cloves afirma que houve um mal entendido, sobre o qual pede desculpas ao estudante Nuhu Ayuba e aos colegas de classe.
"Jamais tive intenção discriminatória, de qualquer espécie, mesmo porque sou, como muitos brasileiros, descendente de africanos, inclusive a minha avó era de Alcântara/MA. Acredito no potencial de todos, e o que exijo como docente é que os estudantes tenham compromisso com o conteúdo da disciplina e com a participação e frequência às aulas", destacou Saraiva.
José Cloves Verde Saraiva, 57, é Professor Associado III, do Departamento de Matemática da UFMA desde março de 1980, após ser aprovado por Concurso Público. Nascido na capital maranhense, Saraiva é Doutor em Matemática pela Universidade de São Paulo.
Fonte:
* Nota de esclarecimento: A iniciativa do Abaixo Assinado partiu dos alunos, entretanto a Petição Pública foi iniciativa do Coletivo de Entidades Negras.
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Nota do Coletivo de Entidades Negras sobre o caso de Racismo na UFMA
7/05/2011 09:34:00 AM
Y.Valentim
Nos últimos dias o Coletivo de Entidades Negras, através de sua coordenação no estado do Maranhão, tornou público para o país inteiro o caso de racismo praticado por um professor contra um aluno oriundo de um país africano.
O caso tomou proporções e já há manifestações francamente favoráveis ao afastamento do professor. Como um caso específico, o Coletivo de Entidades Negras, organizações nacional do Movimento Negro, acredita ter cumprido seu papel ao denunciar, acompanhar e oferecer soluções para mais um caso triste neste que ainda é dito como o país do «racismo cordial», como se discriminar alguém por sua origem ou cor de pele pudesse minimamente ser cordial.
No entanto, sabemos que este não é um caso isolado. Todos os dias, milhares e milhares de alunos negros, em escolas públicas ou particulares, nos ensinos fundamental, médio e superior, são discriminados por outros alunos, por professores e funcionários das instituições de ensino. O racismo, infelizmente, está presente no cotidiano escolar e é responsável direto pelo alto índice de evasão escolar.
O bullying agora tão decantado como a discriminação de qualquer tipo praticado nas escolas, sempre teve seu lado mais agravado pelo racismo e o que vemos no caso da UFMA, neste momento, é exatamente isso. O racismo sem disfarce, sem ser cordial, sendo cruel, penetrante e visceral.
A dor do jovem Nuhu Ayuba, é hoje a dor de todos nós, negros e negras e o Coletivo de Entidades Negras se solidariza com essa dor e exige das autoridades o afastamento do professor e o encaminhamento do caso à Justiça.
Atenciosamente,
Coordenação Nacional do Coletivo de Entidades Negras
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Tradicionais de Terreiro
7/04/2011 09:32:00 AM
Y.Valentim
No dia 29, ocorreu no plenário 12 do corredor das comissões da Câmara dos Deputados em Brasília, o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Tradicionais de Terreiro.
O evento sob a coordenação do Gabinete da Deputada Érika Kokay - DF, contou com a participação de vários outros Deputados entre eles a Dep. Janete Rocha Pietá PT - SP, o Dep. Vicentinho PT- SP, devido as atividades parlamentares no dia vários parlamentares passaram pelo plenário dando sua fala de apoio ao movimento, contou ainda com a participação de membros do Movimento Negro, e Religioso entre eles CETRAB e CEN.
O dispositivo da mesa contou com a participação de membros afro religiosos e da representação governamental Federal e do DF. O destaque ficou com a Iyá Dadá 93 anos que conquistou a todos com sua simpatia e sorriso largo. A abertura ficou por conta de Iyá Sueli que fez a saudação a Esú, Sangô e Oyá. Durante o evento foi levantado a importância de tal movimento para a comunidade religiosa afro e brasileira levando-se em conta a importância de uma maior visibilidade na esfera legislativa naquela casa de leis. Foi levantado também a situação atual de nossa religiosidade em esfera nacional onde casas continuam sendo invadidas, religiosos continuam sendo agredidos verbal e fisicamente. Foi destacado que a solução dos problemas passam primeiro por fazer valer nossos direitos de acordo com que reza a constituição. Um dos ricos momentos foi quando Dra. Jô da Coppir DF lembrou de sua origem e falou do seu orgulho de ser filha de quebradeira de coco e lavadeira, hoje a advogada e presidenta da COPPIR DF se coloca à disposição da comunidade afro religiosa para orientar nas ações de impedimento de derrubadas de terreiros na capital. Iyá Patrícia nos contou da trajetória de sua mãe Iyá Lídia de Osun que já há tempos atrás sofreu por parte do governo do DF o mesmo tratamento que muitos hoje recebem tendo suas casas derrubadas sob o manto da intolerância governamental perante às religiões de matriz africana e brasileira. Pai Michael contou um histórico sobre a formação do Foafro - DF e de suas ações.
O evento contou ainda com uma exposição de fotografias em 3D sobre a comunidade afro religiosa de Brasília e Entorno. Pai Joel de Oxalá (candomblé) e Mãe Dadá (umbanda) fizeram as orações de encerramento.
Essa e outras fotos podem ser verificadas aqui.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Frente em defesa das comunidades tradicionais de terreiro
7/01/2011 09:22:00 AM
Y.Valentim
No dia 29/6, foi lançada a Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Tradicionais de Terreiro.O deputado Valmir Assunção (PT/BA) defende as religiões de matriz africanas como um espaço de educação, cultura e religião. “Ao longo dos anos a religião de matriz africana permaneceu resistindo. Nós temos que avançar, até porque os terreiros prestam serviços sociais à comunidade, e lógico, um espaço de celebrar a sua crença, o seu culto”, afirma.
A Frente Parlamentar vai discutir um plano de promoção dos direitos das comunidades tradicionais de terreiro, abordando a questão fundiária, liberdade religiosa, questão cultural, geração de renda, entre outros assuntos. Para a deputada Erika Kokay (PT/DF), a liberdade religiosa passa pela valorização das comunidades de terreiro. “E quando nós falamos da necessidade de ter um plano de promoção das comunidades de terreiro, nós estamos falando da liberdade religiosa, mas estamos falando de uma cultura que nós temos que preservar. Porque senão, nós não preservamos a nossa brasilidade. A nossa brasilidade é negra. E a nossa brasilidade é de terreiro também. A umbanda é brasileira”, explica.
A Frente Parlamentar já propôs uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e já realizou uma reunião com presidência da Terracap (DF), no intuito de reivindicar espaços para os terreiros do DF.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Minorias se unem contra ensino religioso obrigatório no Rio
6/14/2011 09:17:00 AM
Y.Valentim
Se tudo sair como planeja o prefeito Eduardo Paes (PMDB), em breve as 1.063 escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro passarão a contar com ensino religioso. Para levar à frente a medida, a prefeitura terá de contratar 600 novos professores, o que deve causar um impacto orçamentário anual de aproximadamente R$ 12 milhões. Embora a lei determine a obrigatoriedade do ensino nas escolas públicas, a frequência será facultativa. Na Câmara Municipal o debate pega fogo.
Audiência pública realizada nesta terça-feira (14) mostrou que além de polêmica, a lei pode aumentar as pilhas de processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Representantes das minorias temem o aumento do preconceito entre estudantes e suas famílias e argumentam que a proposta fere o artigo 19 da Constituição, que garante o Estado laico.
Porém, o ensino religioso também está previsto no artigo 210 da Carta Magna e conta com o respaldo do artigo 33 da lei 9.394 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional – cujo conteúdo levou o Ministério Público Federal a entrar com uma ação de inconstitucionalidade que foi acolhida pelo STF, mas ainda aguarda parecer final.
“O ensino religioso já existe nas escolas estaduais do Rio. E nós sabemos que todas as vezes em que os segmentos mais hegemônicos entram na escola, eles começam a fazer a cabeça de alunos para entrarem nas suas religiões e perseguirem as religiões de matrizes africanas”, reclama o babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Ele afirma que se a pluralidade das diferentes religiões não for respeitada, irá recorrer ao STF. “Se houver cerceamento às religiões de matrizes africanas vamos recorrer ao Judiciário. Ou é para todo mundo ou não é para ninguém”.
Apresentado à Câmara no dia primeiro de abril, o projeto chegou com a recomendação de que fosse votado em caráter de urgência. Porém, depois do escândalo com a compra milionária dos automóveis Jetta para os parlamentares da Casa, os 51 vereadores optaram por não jogar lenha em mais nenhuma fogueira. Assim, foi o próprio líder do governo, Adilson Pires (PT), que retirou a proposta da pauta, para que fosse realizada uma audiência pública. Ainda não foi estabelecida nova data para a votação.
Em fevereiro, o Conselho Municipal de Educação emitiu um parecer contrário à proposta.
No projeto de lei nº 862/2011, o Prefeito Eduardo Paes explica que para cumprir “preceitos constitucional e infraconstitucional” os futuros professores de ensino religioso terão de ter como “formação mínima a licenciatura plena em Sociologia, Filosofia ou História, ou bacharelado em teologia desde que comprovada, também, licenciatura plena em outros campos específicos do conhecimento que constituam disciplinas obrigatórias do ensino fundamental”.
Representante do Conselho Nacional de Educação (CNE) no Rio de Janeiro, o professor de Sociologia da Educação da UFRJ Luiz Antônio Cunha recomendou aos edis que aguardem a formação de uma comissão intercameral, que irá estudar a questão e propor normas que orientem a oferta do ensino religioso nas escolas públicas, antes de cabalarem votos a favor ou contra o projeto.
“Pesquisas realizadas por docentes da UFRJ e da USP mostram que o ensino religioso tem sido evocado como um mecanismo de controle individual e social supostamente capaz de acalmar os indisciplinados, de conter o uso de drogas, de evitar a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis”, afirmou Cunha, sem no entanto sinalizar com uma data para a apresentação das normas indicativas.
O vereador Paulo Messina (PV), presidente da Comissão de Educação e Cultura na Câmara de Vereadores do Rio, apresentou uma emenda ao projeto. Ele quer que, além de opcional, o ensino religioso seja oferecido fora do horário mínimo das 800 aulas anuais de aula. "Isso limitaria a proposta a ser aplicada apenas nas escolas que oferecem horário integral o que hoje, no Rio, não passa de 200", disse o vereador, que é contra o projeto.
Fonte:




