Pelo décimo quarto ano consecutivo a Associação Comunitária Alzira do Conforto...

... realiza, no mês de agosto, a Caminhada Azoany, evento realizado no dia de comemoração a São Lázaro, que consiste em um cortejo com saída do Pelourinho até a Igreja de São Lázaro, no Bairro da Federação, momento onde os adeptos da religião de Matriz Africana, (candomblé) agradecem ao Orixá, Inkisse.

Azoany, com é conhecido no Jejé, é o Deus de saúde e morte, o Orixá, Inkise que esta em plena consonância e contato com a humanidade, buscando através do dia a dia a solução de problemas que atingem a matéria humana.

No dia 16 de agosto de 2012 completou 14 anos que um grupo de pessoas ligadas ao Candomblé e a Igreja Católica, resolveram partir do Pelourinho em direção a Igreja de São Lázaro, para comemorar o dia de São Lázaro e Azoany (Omolú, Obaluaê), para reverenciar e cumprir promessas em agradecimento. Atotô, Obaluaê!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Assinatura do Termo de cooperação Alzira X Palmares


A organização Alzira do Conforto e a Fundação Cultural Palmares assinam termo de cooperação para a XI Caminhada Azoany. A Fundação palmares é o órgão de governo responsável por formula e implanta políticas públicas que têm o objetivo de potencializar a participação da população negra brasileira no processo de desenvolvimento, a partir de sua história e cultura. Por entender a importância da Caminhada Azoany para a sociedade brasileira o termo contribui para viabilizar as ações para que a mesma aconteça.

Luciane Reis

Membro do Instituto Mídia Étnica

Publicitária / Estudante de Jornalismo

Fotos: Cristiano Lima, Diogo Dias e Iraildes Andrade.

Rodas de diálogos: Ser e Conhecer Azoany



A IX Caminhada Azoany, contou com uma roda de dialogo que trouxe relatos, experiências e olhares diferenciados sobre Azoany, o surgimento da caminhada dentre outros.

Vários relatos de Makotas, Ekedes e Ogans trouxeram aprendizados e o fortalecimento da fé para os presentes.




Luciane Reis
Instituto Mídia Étnica
Publicitária / Estudante de Jornalismo
Fotos de Iraildes Andrade, Diago Dias e Cristiano Lima

Atabaques tocam para abrir eventos de reflexão a Azoany.



Para ser um Alabê é necessário ter obrigação, ter recebido o axé de seu babalorixá, pois não é possível a alguém não conhecedor do processo chamar a um orixá. Um Alabê é tão importante quanto um Babalorixá num ebó, pois nenhum dos dois pode desviar a atenção do ato a ser realizado no momento do início ao fim.

Para reverenciar Azoany a organização Alzira do Conforto convidou alabés de diversos terreiros de candomblé para reverenciar Azoany sobre o comando de Ogan Erenilton na abertura das atividades para e durante a caminhada.



A IX Caminhada Azoany,contou com uma roda de dialogo que trouxe relatos , experiências e olhares diferenciados sobre Azoany, o surgimento da caminhada dentre outros.
Luciane Reis.
Membro do Instituto Mídia Étnica
Publicitária / Estudante de Jornalismo
Fotos: Iraildes Andrade, Diogo Dias e Cristiano Lima

Juventude e ancestralidade presente na Caminhada Azoany.

A mesa de juventude pautou Azoany quanto orixá que vem ajudando a construir o futuro, através de relatos pessoais e de como, quanto religiosos, entendem a complexidade de Omolu.
Às vezes para nós que somos jovens e estamos em inicio de processo de aprendizado, para outra forma de se relacionar entender Omolu e porque de não pronunciar o seu nome, só fica claro com o decorrer do aprendizado religioso conclui a mesa de juventude.Para a coordenadora Nacional de Juventude do Cen, Rebeca Tarique “Compreender Omolu no contexto religioso para nós jovens, se torna essencial por estarmos em contato direto com rua e suas influencias”.
A mesa de ancestralidade composta pelo Ogan Emetério do Terreiro Tumba Junçara e a Ekede e historiadora do Terreiro Obá Na Irai Galrão, tratou das lendas e a ação destas lendas na população atual.Todos presentes ficaram maravilhados com a forma de pensar Omolu presentes para as duas nações.Irai Galrão trouxe as lendas de Omolu quanto senhor da terra e tendo domínio sobre as doenças de pele. “Ele é o senhor da terra, ele rege a transformação” Segundo a historiadora e Ekede Omolu, além de ser de origem Jeje, não foi abandonado conforme conta diversas lendas por sua mãe Nana, esta por ser de Etnia Fon e Omolu ter nascido com doenças o coloca no rio para que o mesmo seja cuidado por uma outra entidade, no caminho Omolu se perde e é criado por Yemanjá. .Ogan Emeterio e Erenilton reforçaram suas falas trazendo a realidade enfrentada pelos cânticos religiosos pela industria Cultural.

Luciane Reis
Membro do Instituto Mídia Étnica
Publicitária / Estudante de Jornalismo

Governamentais saúdam Azoany

Durante os dois dias seminário que aconteceu na Casa do Benin em Salvador , entre mesas de governo, juventude e ancestralidade, foi possível perceber os diversos olhares sobre o mesmo tema.
A mesa governamental compostas pelos deputados estaduais e federais Bira Cora e Luiz Alberto pautou Azoany numa perspectiva de terra e moradia para a população negra em Salvador e Recôncavo Baiano, trazendo as lutas que estes vem travando para garantir esses direitos ligados a Omulú para pessoas que nunca tiveram estes direitos garantidos.
O Município que se fez presente através da Secretaria Municipal da Reparação aonde para o Subsecretário Edmilson Sales “A sociedade vem passando por uma doença chamada Racismo e só Omolu pode curar, já que não é mais possível ver os jovens negros envelhecer”.
A fundação Cultural Palmares na presença de seu representante Zulu Araújo, traz as boas vindas a caminhada e dizendo da sua importância na luta contra a intolerância religiosa “ Fiz questão de estar neste momento por entender a Palmares como uma organização Republicana ,logo esta caminhada por ser uma ação Publica e de luta contra a intolerância merece todo apoio e cuidado por parte da sociedade Brasileira.

Luciane Reis.
Membro do Instituto Midia Étnica
Publicitária / Estudante de Jornalismo

Caminhada Azoany Chega as Ruas

Após dois dias de Seminário entre toques, saudações a Azoany, roda de bate papo, declaração de amor ao orixá entre outros.Chega o dia da Caminhada, Salvador é tomada por pessoas vestidas de branco seja pelas camisas trocadas por um quilo de alimento ou por suas próprias vestes.
Para o Ogan Erenilton Bispo da Casa de Oxumaré “Omolu é um orixá de ancestralidade e saúde, por isto todo cuidado e respeito é pouco” grita enquanto canta cânticos a Omolu na subida da Carlos Gomes. “Omolu é meu pai e meu tudo, sem este Orixá eu não vivo” conclui adeptas do candomblé que acompanha a caminhada, para os trauseantes ou pessoas de outros municípios e Estados presentes na caminhada a manifestação de religiosidade das pessoas é emocionante realmente quem quer saber o que é ser religioso é preciso que venha a Salvador e conheça este momento. Azoany permite que nunca esqueçamos que precisamos sempre fazer ações olhando para traz, disse um dos Babalorixás presentes na caminhada do Estado do Rio Grande do Sul.


Luciane Reis
Membro do Instituto Mídia Étnica
Publicitária / Estudante de Jornalismo

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Movimento para Regularização Fundiária dos Terreiros em Salvador

Amanhã (19 de Agosto), às 14hs, em frente a Câmara dos Vereadores.
Sua participação é fundamental!
Até lá!
CEN Brasil Comunicação.

Fiéis fazem festa para homenagear São Roque e Obaluaê


video

Fonte: A Tarde

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Caminhos abertos para a Azoany



Em sua 11ª edição, a Caminhada Azoany ganhou as ruas num percurso iniciado no Pelourinho em direção à Federação, onde se encontrou com a procissão de São Roque. Homenagem do povo de santo à fé nas divindades que presidem os mistérios da cura para os problemas de saúde.

Fonte: Mundo Afro

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

XI Caminhada Azoany



Todos de Branco para saudar Azoany.


A caminhada Azoany acontece pelo 11º ano consecutivo no mesmo dia em que a igreja católica comemora São Lázaro. A caminhada é um cortejo com saída do Pelourinho até a Igreja de São Lázaro no Bairro da Federação, onde os adeptos da religião de Matriz Africana (candomblé) agradecem ao Orixá pelos pedidos atendidos durante todo o ano. Azoany, com é conhecido no Jejé, é o orixá de saúde e cura, que esta em pleno contato com a humanidade, buscando através do dia a dia a solução de problemas que atingem a matéria humana.

Esta caminhada é então o resultado de uma obrigação religiosa de senhor Martins, morador antigo do pelourinho hoje com 77 anos e que realizava a mesma há 44 anos. Com a chegada da organização Alzira do Conforto está é ampliada. O nome da caminhada surge de uma conversa da Yalorixá Mãe Aida e os organizadores, que até então não conheciam as diversas denominações para o Orixá da Cura.
Os adeptos do candomblé vêem em Azoany, o orixá que irá curar os malefícios que se encontra em seus corpos, depositando nele toda sua fé. No último ano o cortejo contou com a participação de aproximadamente 2000 pessoas de todas as classes, que encontram na mesma o seu momento de reflexão que os fazem caminhar um percurso de 06 km, cantando louvações para o Orixá e agradecendo pelos benefícios e atendimento de suas demandas.

Este ano ela vem com novidades, pois, além de acontecer na Igreja do Carmo que nunca teve um momento igual, terá a participação de vários templos religiosos do interior, acontecerá entre os dias 13 e 14 de agosto um seminário para discutir esta divindade sobre diversos pontos de vista.

Para um dos organizadores da Caminhada Albino Apolinário é importante buscar outros espaços de dialogo sobre este orixá e por isto a ampliação no formato da mesma. Segundo o Babalorixá PC de Oxumaré, um dos consultado sobre o novo formato da caminhada o povo de santo está se encontrando e estes são momentos de organização e de pensar os formatos de atuação. ”Fico feliz, por que as coisas de terreiro têm que acontecer com os Terreiros” finalizou

Luciane Reis

Domingo tem festa para São Roque e Caminhada Azoany




Neste domingo em Salvador tem manifestação religiosa com um forte acento afro-brasileiro. É o dia da festa para São Roque, que alcançou uma grande popularidade na cidade por conta da sua associação com divindades como Obaluaê, e também da Caminhada Azoany.
No Santuário de São Roque e São Lázaro (Federação), tem missa às 7 e às 9 horas (esta com elementos da cultura afro-brasileira). A missa solene será às 15 horas, seguida de procissão.
Já a programação da 11ª edição da Azoany começa às 9 horas com uma missa na Igreja do Carmo, Pelourinho, onde atualmente está sediada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
A igreja da irmandade está em reforma. As missas com a participação da confraria, como será o caso desta, tem um belíssimo rito inculturado, ou seja com elementos da cultura afro-brasileira. Logo após a missa tem a concentração na Praça do Reggae. A saída está marcada para às 13 horas, embalada pelo afoxé Kori Efan.
A caminhada segue para encontrar a procissão de São Roque. Para saber mais sobre a Azoany tem um post sobre ela
aqui . Outra opção é blog oficial da caminhada, que você acessa clicando neste espaço.

Fonte: Mundo Afro

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Novidades para a Caminhada Azoany


Tem novidades na preparação da já tradicional Caminhada Azoany, que reúne o povo de santo no dia da festa católica de São Roque. Azoany é uma das denominações jeje para as divindades Obaluaê e Omolu, do candomblé ketu e Kavungo do angola.
Este ano as atividades começam mais cedo. Amanhã, quinta-feira, com uma conferência na Casa do Benin das 14 às 16 horas. Na sexta, tem mais uma sessão de debates das 9 às 12 horas e a segunda das 14h30 às 17 horas. Todas elas serão ligadas a discussões sobre a religiosidade afro-brasileira.
No dia 16, as atividades começam com uma missa na Igreja do Carmo- sede provisória da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, pois a sua igreja está em reforma-, seguida da concentração para a caminhada na Praça do Reggae. As 13 horas é a saída embalada pelo afoxé Korin Efan. A marcha segue para a Federação onde se encontra com a procissão de São Roque.
Ainda dá para conseguir a camisa da caminhada. Basta levar um quilo de alimento não perecível até a sede da associação Alzira do Conforto na sexta e no sábado das 9 às 12 horas e das 14 às 18 horas. A sede da Alzira do Conforto fica na Rua das Laranjeiras, 14, 1º andar, Pelourinho.


Fonte: Mundo Afro

Educaxé: O negro e a Política- Parte II

Formas de Resistência ao Sistema Escravista

Jaime Sodré

Os escravos reagiam de diferentes maneiras diante da violência e da opressão provocadas pelo sistema escravista. Da mesma forma que promoviam fugas e revoltas, aproveitavam a existência de pequenos espaços para a negociação. Espaços que eles próprios conquistaram ao mostrarem aos senhores a necessidade de terem certa autonomia para o bom funcionamento do sistema escravista.

Os senhores conscientes de que dependiam do trabalho escravo – que não raro era especializado – permitiam uma margem para a negociação. Por meio de várias estratégias, que iam desde o enfrentamento direto até a obediência e a fidelidade para com o senhor, encontravam formas para alcançar a liberdade. Uma delas a carta de alforria.

A partir do século XVII, os escravos que sofriam de maus-tratos do seu proprietário, podiam trocar de senhor ou entrar com uma ação judicial de liberdade. Os escravos tomavam também a iniciativa de acionar as autoridades judiciais, muitas vezes com o apoio das irmandades religiosas destinadas aos negros, contra os proprietários que tentavam dificultar a obtenção da alforria.

A alforria poderia ser adquirida gratuitamente ou por meio do pagamento em dinheiro, prestações ou em uma só vez. Outra forma era o depósito de um outro escravo em seu lugar. Contudo, a alforria era sempre revogável. Assim como o proprietário assinava a carta de liberdade, ele poderia anulá-la a qualquer momento. Isso poderia ser feito tendo como justificativa o mau comportamento do escravo.

A maioria das cartas de alforria era onerosa, pelas quais o escravo deveria pagar uma quantia em dinheiro para ressarcir o prejuízo do proprietário ou recompensá-lo indiretamente com a prestação de serviços, permanecendo em sua companhia até a morte, servindo ao cônjuge e “não ser ingrato ou dar desgosto”.

Essa última condição significava não cometer nenhuma atitude que colocasse em risco a propriedade do senhor ou a sua produção; não atacar física ou moralmente o proprietário e a sua família e socorrê-lo em caso de doença. Dessa maneira, os proprietários adiavam a liberdade do escravo, pois este deveria primeiramente trabalhar para conseguir pagá-la ou se dedicar aos cuidados do senhor. Apenas uma parcela pequena das cartas de alforria era totalmente gratuita, não exigindo nenhuma contrapartida do escravo.

Assim, o escravo tratava de conseguir dinheiro para comprar sua alforria, obtendo-a como empréstimo ou doação. Para tanto, a rede de solidariedade era fundamental ao cativo. Membros de sua família, amigos, vizinhos, padrinhos, nesse momento contribuíam, de maneira significativa, para o sonho de liberdade tornar-se realidade.

É preciso lembrar que o casamento podia ser considerado uma possibilidade palpável para a obtenção da alforria. Assim, esta raramente aparecia como um projeto individual. Havia, então, o envolvimento do cônjuge, que muitas vezes acabava por libertar seu companheiro. A instituição do casamento tornava-se ainda mais importante para os escravos de origem africana, pois eram estrangeiros em terra de brancos. Tentavam encontrar no matrimônio um apoio, uma segurança.

Um tipo de alforria muito recorrente era aquela apresentada como a última vontade do proprietário, isto é, em testamento. Podia ser incondicional, pela qual o escravo ganhava a liberdade assim que era aberto o testamento, ou condicional, quando ele tinha de cumprir alguma determinação do seu proprietário antes de receber a carta de alforria. Africano de distintos grupos étnicos, crioulo, pardo ou mulato, homem ou mulher, jovem ou idoso, o escravo era lembrado, com frequência, no testamento do seu proprietário.

Recebia recompensas pelos “bons serviços” prestados ao dono e demais parentes da casa, sendo deixado liberto após a morte do senhor. Os escravos que recebiam alforria ainda em vida do seu senhor tinham esse benefício reforçado em testamento.Deve ser esclarecido que o senhor não concedia a liberdade ao seu escravo somente por generosidade. Havia um cálculo político por detrás dessa ação, na medida em que o senhor controlava o comportamento do cativo, através do oferecimento da possibilidade da sua alforria. Dessa maneira, procurava fazer com que esse obedecesse e realizasse os seus serviços de forma satisfatória. Por outro lado, na esperança da recompensa, o escravo cumpria s sua parte no “trato”, visando alcançar a liberdade.

Nota-se que, nos testamentos, as mulheres escravas, além de serem contempladas em número maior com a alforria, apareciam com mais frequência como herdeiras dos bens do proprietário. Em geral, as libertas eram herdeiras de mulheres solteiras ou viúvas. Nesse caso, havia entre a senhora e a escrava um certo vínculo de amizade, poder-se-ia até dizer afetivo. A escrava era sua companheira, com quem contava para seus serviços e seus cuidados. Também as mulheres recebiam com mais frequência a alforria por conta do seu valor menor no mercado em relação aos escravos homens. Dessa forma, a sua substituição custaria menos ao proprietário.

No entanto, após atingirem o seu maior objetivo – a liberdade -, os então libertos tiveram que sobreviver por conta própria e se inserir na sociedade. O preconceito se fazia presente, inclusive na Constituição do Império, que os impedia de adquirir direitos eletivos. Podiam somente participar de eleições primárias. Também não podiam se candidatar, sendo-lhes proibido o exercício de cargos como jurado, juiz de paz, delegado, subdelegado, promotor, conselheiro, deputado, senador, ministro, magistrado ou referentes ao corpo diplomático e eclesiásticos.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que foi a Revolução dos Búzios?
2. Quais os mecanismos utilizados pelos escravos para a obtenção da alforria no Brasil?
3. Qual o papel das irmandades religiosas negras nas estratégias para a obtenção de liberdade em meio à escravidão?
4. Quando surgiu a Irmande de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na Bahia e quais as suas principais características?
5. Quando surgiu, na Bahia, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e quais as suas principais características?
6. O que você sabe sobre a Sociedade dos Desvalidos em Salvador?
7. Quais destas associações negras surgidas no período colonial ainda estão em atividade na Bahia?

Jaime Sodré é historiador, professor universitário e religioso do candomblé.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ministro vai à Bahia para tratar da situação de quilombolas

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, visita amanhã (12/08) o estado da Bahia, dando continuidade à articulação entre estados e municípios em torno da Agenda Social Quilombola, programa do Governo Federal. Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as ações voltadas às comunidades deverão ser aceleradas, com prioridade para os estados com as maiores concentrações desses grupos, como Minas Gerais, Pará, Maranhão, Pernambuco e Bahia, estado que registra 292 comunidades certificadas.

O ministro será recebido às 8h por lideranças da Comunidade Quilombola Monte Recôncavo, no município de São Francisco do Conde. Embora a cidade tenha um dos maiores índices de Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país - por abrigar a Refinaria Landulpho Alves - as 800 famílias quilombolas enfrentam problemas decorrentes da falta de infraestrutura, como abastecimento de água e saneamento básico.

Às 14h, Edson Santos chega à comunidade remanescente de quilombo de São Francisco do Paraguaçu. Localizada no município de Cachoeira, é formada por cerca de 250 famílias. Mantém hábitos tradicionais, como a pesca, a coleta de marisco e o extrativismo da piaçava e dendê. O processo de titulação da comunidade enfrenta sérios conflitos com fazendeiros da região. Ações na Justiça colocam a comunidade sob constante ameaçada de terem que desocupar suas terras. Em maio, porém, a comunidade comemorou a suspensão de liminar que durante um ano e meio paralisou a atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Às 11h, o ministro será recebido em audiência pelo governador Jaques Wagner, no Centro Administrativo da Bahia.

A Agenda Social Quilombola tem o objetivo de articular ações existentes no âmbito do Governo Federal, por meio do Programa Brasil Quilombola. Os eixos de atuação da Agenda são o acesso à terra, infraestrutura e qualidade de vida, inclusão produtiva e promoção da cidadania.

Homenagem - À noite, a partir das 19h, na Câmara Municipal de Salvador, o ministro Edson Santos participa da solenidade de outorga de Cidadão da Cidade de Salvador ao ministro da Diáspora do Senegal, Amadou Lamine Faye.

Jornalista e escritor, Faye atua como conselheiro do governo sobre políticas para a integração da diáspora africana, promovendo o intercâmbio sociocultural de entidades negras. O dia 12 de agosto marca a deflagração da Revolta dos Búzios - movimento que há 211 anos defendeu o fim da escravidão.


Coordenação de Comunicação Social
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

sábado, 8 de agosto de 2009

No ar... Entrevista com Mãe Meninazinha





Fonte: You Tube

Edital para promoção da cultura negra

Zulu Araújo - Presidente da Fundação Palmares

Tem edital da Fundação Cultural Palmares para apoiar projetos de promoção da cultura negra. O financiamento totaliza cerca de R$ 400 mil. Para concorrer os projetos tem que ter como direção a Lei 10639/03, que detemina o ensino de Históira da África e Cultura Afro-Brasileira, com enfoque em atividades culturais comemorativas ao Dia Nacional da Consciência Negra 2009.

O tema das atividades deve ser Renascimento Africano- Fesman. O Festival de Música e Artes Negras (Fesman), cuja realização prevista para dezembro deste ano acaba de ser adiada (Veja mais aqui sobre o adiamento). Elas devem ser direcionadas para crianças e jovens em idade escolar.

As inscrições já estão abertas e vão até o dia 14 de setembro. O projeto deve propor ações para todo o mês de novembro em pelo menos uma das seguintes expressões artísticas e sociais: teatro, dança, literatura, música, cinema, moda, design, artesanato, culinária, formação cultural ou seminários com temas políticos e sociais voltadas para a questão negra.

As propostas podem ser inscritas em duas categorias: Projeto individual, voltado para artistas que desenvolvem trabalhos ligados à cultura negra; e Projeto de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos, que também trabalhem com estes temas e tenham, no mínimo, três anos de fundação.

Cada projeto individual selecionado receberá R$ 20 mil. Até dez projetos podem ser contemplados. Já a categoria de entidades privadas vai premiar cinco propostas com um prêmio de até R$ 40 mil por projeto.

Para acesso à versão on line do edital clique aqui . Já neste link você encontra mais informações sobre o processo de seleção.


Fonte: Mundo Afro

Educaxé: O negro e a política - Parte I

Jaime Sodré

Entende-se por política, dentre muitas definições, a atividade que resulta em organização, direção ou administração de ações em beneficio de uma comunidade. A grosso modo podemos dividi-la entre política interna e política externa. Em uma sociedade democrática esta atividade pode corresponder às ações dos cidadãos que ocupam cargos públicos, levados ao poder pelo voto, efetivada pelos seus co-cidadãos.

A palavra Política é de origem grega. Os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas Polis, nome do qual se origina a palavra Politike, no sentido geral, e Politikós no sentido de cidadãos. Para Aristóteles, “o homem é um animal político”.

Em termo de ações básicas, a arte da política implica em gerenciar o modo de governo por meio de uma organização política; aplicar meios adequados e licítos para a obtenção de vantagens, o que, segundo Bertrand Russel seria “o conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados”.

Já para Nicolau Maquiavel, no célebre O Príncipe, seria “a arte de conquistar, manter e exercer o poder”, ou seja, o governo. Na época contemporânea, política ganhou novos significados, tais como: ciência do Estado, doutrina do Estado, ciência política ou filosofia política.

A política é exercida pela conquista do poder, que poderá, em síntese, significar o “poder econômico”, ou seja, a posse de certos bens ou fatores de produção. Histórica fonte de poder em relação às classes que detêm a força de trabalho, logo, quem tem fartura de poder econômico poderá determinar o comportamento de quem não o tem, mediante promessa ou concessão de vantagens.

Já o “Poder ideológico” baseia-se na influência que as ideias exercem sobre a visão e conduto de grupos sociais, responsáveis pelas ações e coesão dos grupos. O “Poder político” serve-se de diversos instrumentos, objetivando ações aplicadas a um determinado grupo social, extensiva às ações de força, que a detém, exclusivamente, em relação aos grupos sob a sua influência.

O que a política pretende, em suma, é alcançar por suas ações democráticas a unidade do Estado, garantia de direitos e deveres iguais, estabilidade, o bem-estar coletivo, a prosperidade, a liberdade, os direitos civis e políticos, os direitos humanos, a independência nacional, dentre outros benefícios.

Propomos que vocês observem a aplicação do “exercício político” por parte de “grupos negros”, no decorrer da história do Brasil, África e a diáspora, identificando ações antagônicas ou de coesão, dentro de um mesmo grupo racial ou etnias antagonistas.

Sugerimos também o levantamento dos partidos políticos e seus ideários, principalmente no Brasil, e a relação de políticos negros ou não, comprometidos com os anseios da comunidade afro-brasileira.

Perguntas para aprofundar a pesquisa sobre o tema:

1. O que é política?

2. Quem foi Aristóteles?

3. Quais as principais conclusões de Maquiavel em seu livro O Princípe?



Jaime Sodré é historiador, professor e religioso do candomblé

Fonte: Mundo Afro

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Formação de professores de áreas quilombolas

Edital Aberto

O Ministério da Educação - MEC, por intermédio, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – SECAD e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE – convocam, para assistência financeira suplementar, as Instituições Públicas de Ensino Superior e Entidades de Direito Privado Sem Fins Lucrativos a apresentarem projetos educacionais de formação continuada de professores e elaboração de material didático específico para alunos e professores da educação básica nas áreas de remanescentes de quilombos.
....
3.2 – Para a formação continuada de professores e produção do material didático para as comunidades remanescentes de quilombos, a instituição deve ter como referência, entre outros pertinentes às bases filosóficas e pedagógicas, os princípios:
a. da igualdade básica da pessoa humana como sujeito de direito;
b. da compreensão de que a sociedade é formada por pessoas que pertencem a grupos etnicorraciais distintos, que possuem cultura e história próprias, igualmente valiosas e que em conjunto constroem, na nação brasileira, sua história;
c. do conhecimento e à valorização da história dos povos africanos e da cultura afro-brasileira na construção histórica e cultural brasileira;
d. da desconstrução de estereótipos, por meio de questionamentos e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, idéias, comportamentos veiculados pela ideologia do branqueamento e pelo mito da democracia racial;
e. do diálogo, via fundamental para entendimento entre diferentes, com a finalidade de negociações, tendo em vista objetivos comuns, visando a uma sociedade justa.
......
5. Poderão ser apoiados:
a ) Projetos de curso de formação continuada para professores da educação básica do sistema estadual e municipal de ensino nas comunidades de remanescentes de quilombos, nas seguintes modalidades:

-Extensão, com carga horária mínima de 80h;
-Aperfeiçoamento, com carga horária mínima de 180h;
-Especialização, com carga horária de 360h.

EDITAL COMPLETO:
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/edital_quilombola.pdf

Sacerdotes de matrizes africanas serão homenageados em São Paulo

Por iniciativa do José Cândido e do Portal do Candomblé acontece na próxima quinta-feira, 6 de agosto, o Ato Solene em homenagem aos sacerdotes de Matriz Afrobrasileira.

O evento acontece a partir das 19h no auditório Franco Montoro na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, av. Pedro Alvarez Cabral, 201 – Parque do Ibirapuera.

Os sacerdotes de Matriz Afrobrasileira há muito vêm sendo relegados a um segundo plano em vários aspectos de nossa sociedade.
Fato inegável é seu importante papel social ao ajudar a amenizar as dores da sua comunidade através de ajuda espiritual e às vezes até financeira.

Os Homenageados são:

Autoridades: Álvaro Batista Camilo - Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo; Dr. Antonio Carlos Malheiros/Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Antônio Ferreira Pinto/Secretario de Estado de Segurança Pública; Edson Santos/ Ministro da SEPPIR, Hédio Silva Júnior; José Eduardo Oliveira/Presidente do CNAB – Congresso Nacional Afro Brasileiro; Luis Flávio Borges D’Urso/Presidente da OAB-SP; Luiz Antônio Guimarães Marrey/Secretario de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo; Marco Antônio Zito Alvarenga/Presidente da Comissão Antisdiscriminatória da OAB-SP; Antônio Ferreira Pinto/Secretario de Estado de Segurança Pública; Otunba Adenkule Aderonmu/PRINCIPE, Paulo Paim/Senador da República; Renato Simões/Movimento Nacional de Direitos Humanos; Roberto Tameilini Junior/Advogado; Sebastião Arcanjo; Sinvaldo José Firmo/advogado; Sikiru King Salami - Prof. KING; Ubiraci Dantas de Oliveira/Vice Presidente do CNAB; Vicente Cândido/Deputado Estadual; Vicente Paulo da Silva/Deputado Federal; Zulu Araújo/Presidente da Fundação Cultural Palmares.

Sacerdotes Candomblé: Babalorisá Alaepeoni; Babalorisá Alabiy; Áwò Akanì Ífàtokunmbo Erin Epega; Babalorisá Celso de Osalá; Babalorisá Cesar d’Osun “Iyamife”; Babalorisá Erick de Osala; Babalorisá Eduardo de Logunede; Babalorisá Flávio de Osossi; Babalorisá Flávio de Iansã; Babalorisá Francisco d’ Osun; Babalorisá Gladston ti Inlé; Babalorisá Gilmar d’Ogun; Babalorisá Jamil Rachid; Babalorisá João Batista M de Souza de Aira; Babalorisá José Carlos de Ibualamo; Babalorisá Karlito de Oxumare; Babalorisá Kaobakessy; Babalorisá Kilombo de Omolu; Babalorisá Lilico d’Osun; Babalorisá Loagikaceny; Babalorisá Marcelo Fomo de Logunede; Babalorisá Nenen de Obàtálá; Babalorisá Obasoji; Babalorisá Ogun Dimoloko; Babalorisá Paulo de Ode “Odemutakeregi”; Babalorisá Pérsio de Sangó; Babalorisá Rodney de Osossi; Babalorisá Rozevaldo de Osumare; Babalorisá Sidnei de Sango; Babalorisá Tinho de Ode; Babalorisá Vadinho do Ogun; Babalorisá Valter Logun Ede; Hungbono Jeferson de Azansu; Tat’etu Alabure; Tata Alamussangi de Lembarenganga; Tata Gil de Malé; Tata Katuvanjesi; Tat’etu Koneji; Tat’etu Nzaziankembu; Ogan Rafael de Obaluaye.

Umbanda: Pai Alfredo Scheibel Junior – “Júnior de Xangô”; Pai Anderson Artur Dezen; Pai Carlinhos d’Oxum; Pai Edson Ludugero; Pai Guimarães do Ogum; Pai Juberli Varela; Pai José Valdivino; Pai Joãozinho Sete Pedreiras; Pai Marcos Roberto de Haro Azinar; Pai Milton Aguirre; Pai Roberto Carlos Zangrande; Pai Ronaldo Linares; Pai Ronald de Ogun; Pai Osvaldo Trajano; Pai Olinto Nunes de Souza; Babalaô Anísio de Oxalá; Babalorisá João Roberto Dominicale de Ogun; Sacerdote Obashanan – William de Airá. Mesa: Iyalorisá Ada de Omolu; Iyalorisá Kayandewá; Iyá Ekedji Ogunlade; Dra. Tallulah Kobayashi de Andrade Carvalho; Maria Aparecida Nalessio; Deputada Federal Janet Rocha Pietá; Senadora Fátima Cleide; Major Suzuki; Doné Kika de Bessen.

Mais informações: (11) 3886-6860 / 3886-6836

Já estamos na entrando na reta final...

Leitores Amigos,
A ansiedade é grande, o trabalho é intenso, mas o prazer é enorme!
São 11 anos reverenciando e agradecendo a Azoany por ter conseguindo chegar até aqui!
Segue abaixo registro de uma das inúmeras reuniões realizadas para desenhar o formato dessa Caminhada.
Aproveitando o espaço... Um agradecimento especial à todos os Parceiros de luta, Parceiros de Axé, Parceiros institucionais, os Blogs/Sites diversos, Amigos e Familiares que caminham comigo nessa história!
Lembrando, à todos, que dia 13 e 14 de Agosto temos um encontro marcado na Casa do Benin e no dia 16 de Agosto caminharemos juntos, até "São Lázaro", mais uma vez!
Até lá!
Albino Apolinário.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

“Precisava isso?”

Por Hamilton Borges Walê*

Semanas passam e nós da Campanha Reaja, para além dos currículos forjados em nossa tragédia, articulamos e preparamos um Encontro Nacional sobre Segurança Pública, aqui no chão da fábrica.
Na verdade, esse será um encontro de vitimas e familiares de vitimas da violência estatal. Moradores de comunidades racialmente apartadas, estigmatizadas, controladas violentamente pelo Estado, com a gerência de capachos articulados em governos corruptos que têm no controle penal fonte inesgotável de recurso, e recurso primoroso de silenciamento e eliminação. Esse Iº Encontro Pela Vida e por Outra Segurança Pública (ENPOSP) é um encontro para articular a resistência negra, indígena e popular.
Uma afronta para os governos tiranos que convocaram seus asseclas para uma conferência legitimadora do genocídio em curso.
Afronta maior é que nós apresentamos uma pauta ao país, sem o consentimento dos donos dos Direitos Humanos baseados na USP,Unicamp,UERJ,UFMG,UFBA ou Ford Foundations com seus recursos para pesquisas que não alteram nada, os que nos percebem apenas como números, nós que somos carne e sangue derramados em território nacional. “Olha, fulano disse que vocês podem, gostou de vocês”, querem nos autorizar a autodefesa, os intelectuais de gabinete.
Semanas difíceis de mobilização e organização de um outro debate “fora da Zona de controle” e num ambiente geral despregado da tela do computador, ali flutua essa nova militância que tem opinião pra tudo, na confortável teia de relacionamentos virtuais, na glamorosa web.
Mas nós não precisamos de autorização para falarmos com nossa própria vóz, já dissemos, mas os “aliados” duvidam, pois o eurocentrismo de sua interpretação da realidade brasileira não comporta nossa contribuição.Nossa presença é um nó no racismo que se revela cada vez que gritamos “por nós, é nós , viva nós”.
Mobilizamos pescadores e marisqueiras, a juventude das Pastorais do Brasil, as parceiras e parceiros dos Juízes para a Democracia, as guerreiras e guerreiros Sem Teto, familiares de presos, institutos sérios de pesquisa que resulte em algo, os moradores/moradoras de favelas, o povo do Espírito Santo, Paraná, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Goiânia e Rio Grande do Sul. O Enposp se espalhou pelo Brasil. A pauta é nossa!
Uma semana de tumulto como todas
Ainda na Semana passada me deparei com MV Bill, no Faustão, como um sacerdote da Cultura, apontando as benfeitorias das tropas de ocupação do Haiti - uma dor profunda, uma angústia e uma grande frustração. Bill não é bobo, faz o quê benzendo os canhões que levam desgraça a um povo irmão? É a integração racial regurgitando.
Ainda na Semana passada um policial civil foi morto por uma guarnição da policia militar no centro histórico de Salvador.
Em sua costumeira abordagem, a guarnição truculenta da PM se recusou a ouvir a apresentação do seu colega que dizia “eu sou da casa”. Quando foi apresentar sua identificação foi surpreendido por três disparos de metralhadora e morreu dizendo “precisava isso?”.
Rapidamente policiais civis pararam o trânsito, na Praça da Piedade, onde funciona o prédio da SSP em que despacha o Delegado Chefe, colocaram barricadas com viaturas, giroflex ligado, e impediram por pelo menos 3 horas o trânsito no local.
Quando fizemos isso, pelos mesmos motivos, fomos ameaçados, criminalizados e quase banidos da política se não fosse o editorial do Jornal Irohin. Quando gritamos a todo país que os métodos da polícia são fascista e têm levado o povo preto e pobre às covas da cidade.
Somos tidos como arruaceiros, mas o policial civil, em seu martírio inesperado, nos deixou a conclusão inquestionável de que os autos de resistência são forjados, que os assassinos colhem as cápsulas, jogam os corpos nas malas depois dos crimes e que a Corregedoria é cúmplice dessas ações. Assim como o comandante em chefe.
Por tudo isso, está clara a responsabilidade do Estado nas mortes dos garotos de Canabrava. Há um mês da matança só conversa, promessas e descaso. Famílias sem amparo seguem com as seqüelas de um modelo racista de segurança que mantém a tortura como método de investigação e a vingança como saneamento racial. Lembram da Operação Saneamento I e II comandada por Cezar Nunes?
O Sindipoc – Sindicato da Policia Civil da Bahia, tem em seu presidente um porta-voz digno de Salazar, ele freqüenta com assiduidade um programa policial retirado do ar pelo Ministério Publico, em razão de ação da Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra/CDCN, Vilma Reis. O programa continua apresentando corpos abatidos, apologia à brutalidade da polícia, julgamento sumário pelas telas da TV, numa demonstração de desgoverno do Estado, de fraqueza do Ministério Público quando a vítima somos nós. Mesmo proibido, ele se exibe e exibe o presidente do Sindipoc dizendo que a cada policial morto dez bandidos vão morrer, tudo ao vivo, na cara dos direitos humanos e das instituições que deveriam zelar por esses direitos.
No faroeste em que vivemos tem gente que acha que pode fazer parceria com o Sindipoc. Então fica longe de nós! Porque nós somos Reaja e estamos rumo ao I Encontro Popular pela Vida e outra Segurança (14 a 16 de agosto, em Salvador).

*Associação de Familiares e Amigos de Presos e Presas
do Estado da Bahia Campanha Reaja ou Será Mort@

Seminário e curso capacitam dirigentes de blocos afros

Em parceria com Sebrae, seminário e oficinas dão continuidade ao projeto de capacitação da Secretaria de Cultura do Estado para diretores dos blocos carnavalescos. Projeto, que vai até dezembro, integra o Programa Carnaval Ouro Negro.
Capacitar dirigentes dos blocos afro baianos com as demandas da economia do carnaval é o objetivo do Seminário de Gestão Cultural que acontece nos dias 5 e 6 de agosto no Auditório do Sebrae. No mesmo local, também será realizado a partir de 14 de agosto, o Curso de Gestão Cultural que terá duração de cinco meses. Nessa segunda fase do projeto, cerca de 60 diretores receberão o treinamento de especialistas em Engenharia Cultural, Elaboração de projetos, Financiamento Cultural, Estratégias de Negociação e Produção Cultural.
“O objetivo do curso é reduzir a grande informalidade na gestão das instituições. Em geral, as entidades não possuem uma equipe responsável pela elaboração e gestão de ações e projetos, o que dificulta a obtenção de financiamento e a implementação de ações continuadas”, explica Edivaldo Bolagi, coordenador de ações para o Carnaval da Secretaria de Cultura do Estado.
Durante o Seminário, os diretores terão palestras com especialistas como Paulo Miguez, ex-secretário de Política Culturais do Ministério da Cultura e professor da Universidade Federal da Bahia e com um representante da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. “Preparamos os temas a partir de uma pesquisa que analisou as condições reais de gestão das entidades carnavalescas”, explica Bolagi.
Segundo o coordenador, a idéia é construir uma rede entre toda a cadeia produtiva do carnaval, já que estão previstas mesas de dialogo entre os blocos, agentes financiadores e produtores, possibilitando a troca de experiências do cotidiano de cada instituição, mostrando as práticas e desafios das entidades, promovendo a cooperação e a melhoria da gestão organizacional a partir de experiências de sucesso. “Vamos entender a forma de trabalho atual das entidades e colaborar para que elas avancem na elaboração de projetos e captação de recursos públicos e privados que vão garantir a sustentabilidade dos blocos”, completa Bolagi.
O projeto surgiu em novembro de 2008, em parceria com o Sebrae. As ações de capacitação incluem palestras e cursos de gestão financeira, prestação de contas e formação de rede de cooperação. Para potencializar a captação de recursos, a Secult criou um catálogo bilíngüe com informações sobre todas as entidades participantes do Programa Carnaval Ouro Negro que foi distribuído para empresários do setor.
Programa Carnaval Ouro Negro - Criado em novembro de 2007 pela Secult-BA, o Programa Carnaval Ouro Negro tem por finalidade apoiar financeiramente o desfile das entidades carnavalescas de matriz africana e capacitar dirigentes das associações em gestão e empreendedorismo, além de desenvolver ações promocionais que visam dar maior visibilidade aos blocos, que são um dos componentes mais relevantes na tradição do Carnaval de Salvador.
Os recursos se destinam à aquisição e à contratação de material, insumos e serviços necessários para a composição da proposta estética e cultural da entidade. No Carnaval 2008, a Secult apoiou os desfiles de 104 blocos de matriz africana, investindo R$3,6 milhões, em aportes que variaram de R$15 a R$100 mil, repassados individualmente a cada bloco a partir de critérios pré-definidos. Em 2009, 117 entidades receberam o apoio com investimentos da ordem de R$4,2 milhões.
O modelo de gestão das ações do Carnaval da Secretaria de Cultura do Estado está passando por mudanças importantes. A idéia é implementar políticas que tenham um alcance maior do que o mero patrocínio, a exemplo do Carnaval Ouro Negro. O programa de fomento está estimulando a organização das entidades de matriz africana para que atividades culturais tenham continuidade durante todo o ano e as instituições possam participar de outras modalidades de apoio como os editais.

SERVIÇO

Seminário de Gestão Cultural
Onde: Auditório do Sebrae – Av. Sete de Setembro
Quando: dia 5 e 6 de agosto – das 9h às 17h

Curso de Gestão Cultural
Onde: Auditório do Sebrae
Quando: de 14 de agosto a 5 de dezembro


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Assessoria de Comunicação – Secult
(71) 3103-3016/ 3027/ 3026/ 8151-0893
ascom@cultura.ba.gov.br

Morre Naomi Sims, a primeira top model negra dos Estados Unidos

Sims morreu de câncer aos 61 anos.
Modelo foi capa do 'Fashion of the Times' em 1967.


A primeira top model negra dos Estados Unidos, Naomi Sims, faleceu de câncer aos 61 anos, anunciou nesta terça-feira (4) a imprensa local.
Oriunda do Mississippi, onde nasceu em 1948, Sims se mudou posteriormente para Nova York, onde começou a desfilar e foi a primeira negra a aparecer na capa da "Fashion of the Times", o suplemento dedicado à moda do jornal "The New York Times", em 1967.
Um ano mais tarde, foi capa da revista feminina "Ladies Home Journal" e, em 1969, alcançou fama mundial com uma foto na revista "Life", ao ser declarada a Modelo do Ano.
"Graças a suas iniciativas pessoais e pioneiras, conseguiu criar um verdadeiro lugar para as mulheres negras na indústria das modelos", afirmou Marcellous Jones, editora da "The Fashion Insider".

Fonte: G1

Impactos da Inserção da Atividade Turística no Candomblé de Salvador

Nivia Luzia Silva de Santana*

O Turismo é uma atividade dinâmica que engloba múltiplos segmentos, fundamentados a partir da relação direta e indireta entre pessoas, prestação de serviço e troca de culturas distintas. Os produtos culturais como as festividades, expressões artísticas, gastronomia, tradições orais, obras arquitetônicas e mesmo a religiosidade, são na sua maioria elementos motivadores ou atrativos para o desencadeamento desta atividade.
Ao longo do processo de desenvolvimento histórico, o Turismo teve um impacto sobre tudo e todos que estiveram em contato com ele. Num plano ideal estes impactos deveriam ter sido positivos, no tocante aos benefícios obtidos tanto pela área de destino quanto pelos seus residentes.
Na cidade de Salvador, a atividade turística é extremamente motivada pelo forte processo cultural adquirido em meio a todo legado herdado dos povos africanos escravizados e que aqui preservaram e reconstruíram seus modos de vida de forma bastante singular. Tornando-se, por isso mesmo, na contemporaneidade, um importante destino turístico – e como tal, sujeito aos impactos que essa atividade pode exercer. Sabe-se que “indústria’’ organizada para gerar consumo pode ser descomedida, “coisificando” pessoas, transformando bens intangíveis em “produtos”, caricaturando modos de vida e, deste modo, levando prejuízo tanto para o turista quanto para o destino estabelecido, contrariando, portanto, o que se propõe o turismo no plano ideal. Segundo Luiz Renato Ignarra, autor do livro Fundamentos do Turismo, “Quando acontecimentos especiais são preparados e promovidos como atrações turísticas, há sempre o risco de que eles possam se tornar meros produtos comercializados. Se isso acontecer, a sua autenticidade será eventualmente, destruída, e é a autenticidade o aspecto principal que busca o visitante.”
Turismo no Terreiro – A religiosidade de matriz africana no Brasil provoca em seus adeptos o sentimento de pertença, de compartilhamento, cumplicidade ampla que confere identidade, mesmo considerando a situação da “sociedade moderna de massa”, em que o individuo tem lugar preeminente. Tal sentimento está diretamente ligado à dinâmica da sociedade baiana composta majoritariamente por descendentes de africanos, e, digamos de uma vez, à sua identidade. Sendo assim, as questões pertinentes à comercialização da religião de matriz africana, o candomblé, não é algo que se possa tratar de maneira isolada, pois demanda uma série de fatores vinculados a uma longa história, e que necessita de uma cautela especial.
O Terreiro de Candomblé não se isola da comunidade não religiosa, é um local de atuação, integração e desenvolvimento. Não é algo estático, ao contrário, engloba a função sócio-religiosa que estabelece laços com outros indivíduos através de ações de natureza pública comunitária. Não podemos simplesmente subestimar a força da indústria turística e negligenciar os possíveis impactos que ela pode causar nos Terreiros de Candomblé.
Possivelmente, a atividade turística nos Terreiros de Candomblé consiga provocar aquilo que mesmo as várias investidas históricas contra eles - fosse pela ação da Igreja, fosse através do Estado - não tiveram êxito: sua demonização, despolitização e conseqüente mitigação, através da descaracterização dos festejos litúrgicos gerados pela banalização e comercialização da cultura, comprometendo assim a própria identidade e modo de vida da comunidade de terreiro. Percebeu-se na religiosidade a oportunidade de disseminar a cultura do consumo, e suprir carências culturais na cidade de maneira rentável a partir da necessidade do visitante de interagir com outros modos de vida. Assim, ainda hoje o legado africano permanece em pleno estado de confrontação com o sistema dominante e racista que historicamente buscou degradar sua estrutura.
Analisar essa relação e as conseqüências daí decorrentes para a dinâmica dos cultos afro-brasileiros constitui uma questão de primeira ordem, tanto para o turismo, no sentido de reflexão sobre os limites a serem ser estabelecidos, quanto para a sociedade brasileira, que com isso põe em risco sua própria identidade. Curiosamente o turista que visita uma igreja não interfere nos processos de ordem litúrgica, por mais que aja visitação, ele se beneficia dos aspectos externos da religião. Todavia, este processo de comercialização teve inicio nos âmbitos da Igreja Católica (com a venda de indulgências etc.), mas a banalização veio ocorrer com a religião cuja matriz foi a África. Seria isso uma coincidência?

*Bacharel em Turismo – Fundação Visconde de Cairu ( Salvador/ Bahia) em 2007.;
Coordenadora Pedagógica do Instituto Oyá, Salvador /Bahia;
Desenvolve pesquisa sobre os impactos da inserção da atividade turística nos terreiros de Candomblé na cidade de Salvador.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Encontro de religiosos negros sobre quilombolas

Registro, 30 jul (RV) - Realiza-se em Registro (SP), a 21ª Assembleia de Padres, Bispos e Diáconos Negros.

O encontro é promovido pelo Instituto Mariama (articulação de bispos, padres e diáconos negros) e abertura do mesmo foi realizada, na última terça-feira, na Catedral São Francisco Xavier com a celebração eucarística presidida pelo bispo de Bagé, Dom Gílio Felício.

A procuradora da Fundação Palmares, doutora Dora Lucia fez uma palestra sobre o tema "Negros e legalidade na historia do Brasil". A doutora lembrou aos participantes que as leis brasileiras elaboradas desde o tempo do Brasil Império foram prejudiciais à população negra.

"A lei que proibia o tráfico negreiro, a lei sexagenária e do ventre livre, apesar do aparente aspecto benéfico para os negros, traziam em seus artigos algumas condições que se revelaram prejudiciais para a população negra. Normalmente temos uma leitura superficial destas leis e não nos damos conta de seu aspecto pernicioso à população negra da época" - afirmou Dora.

Sobre a população quilombola e as questões legais, a procuradora afirmou que passado um século de história, ainda é desconhecida a existência de territórios Quilombolas.

Segundo os participantes da Assembleia, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Palmares tem se empenhado no reconhecimento, demarcação e titulação das terras quilombolas. Foi realizado um debate e troca de informações entre os participantes sobre como apoiar a luta das populações quilombolas.

Além disso, outro debate foi realizado com os representantes do Centro de Apoio a Populações Marginalizadas (CEAP), do Rio de Janeiro, sobre o combate a intolerância religiosa. Os padres e bispos foram convidados a participar da segunda caminhada em defesa da liberdade religiosa marcada para o dia 20 de setembro próximo, no Rio de Janeiro.

Está previsto para hoje uma visita dos padres e bispos ao Quilombo de Ivaporunduva, na cidade de Registro. Nesta visita os participantes ouvirão a população e celebrarão a eucaristia com a comunidade local.

O encontro se concluirá amanhã com a eleição e posse da nova diretoria do Instituto Mariama. (MJ)

Fonte: Ìrohìn

sábado, 1 de agosto de 2009

Ângela Davis profere confêrencia de abertura do Curso Fábrica de Idéias (CEAO/UFBA) - BA


Prezados (as) senhores(as)

Em nome do Programa Fábrica de Idéias gostaríamos de convidá-los (as) para participar da palestra de abertura da décima segunda edição do Curso Internacional Fábrica de Idéias, que será ministrada pela professora Ângela Davis, no dia 03 de agosto de 2009, às 18 horas, no auditório do Colégio Central da Bahia, situado à Avenida Joana Angélica, Praça Carneiro Ribeiro, s/n.

Conhecida internacionalmente, a professora Angela Davis leciona hoje na Universidade da Califórnia - EUA. Sua contribuição está voltada para a militância e reflexão sobre as estratégias de mobilização política dos movimentos sociais na luta pelos direitos civis, das mulheres e justiça carcerária. Para alem disso, seu legado político e intelectual é um desafio às desigualdades contemporâneas no que tange às questões como gênero, raça e classe.

Em sua XII edição, o curso abordará o tema "Corpo Poder e Identidade", oportunidade propícia para discutirmos juntos (as) com a Drª Angela Davis o tema da sua palestra ?Feminismo Negro?.

O curso ocorrerá entre os dias 03 a 21 de agosto do corrente ano. O sucesso da Fábrica de Idéias tem sido reconhecido como um exemplo bem sucedido da confluência entre excelência acadêmica e ações afirmativas. O curso propicia também o diálogo entre pesquisadores de diferentes regiões do mundo tais como: América Latina, África e Estados Unidos.
Ressaltamos que vossa participação é fundamental para consolidação de uma rede e ampliação do espaço de interlocução entre a academia e os diferentes setores dos movimentos sociais.

Desde já agradecemos à sua participação.

Atenciosamente,

Angela Figueiredo e Livio Sansone
Coordenadores do Curso Fábrica de Idéias

Sua boa ação vale uma camiseta da 11ª Caminhada Azoany


Traga 2 kilos de alimento não perecível no dia dos 14 e 15 de Agosto até a sede da Associação Alzira do Conforto e troque por uma camiseta da 11ª Caminhada Azoany!



Data: 14 e 15 Agosto
Horário: 09h00min às 12h00min
14h00min às 18h00min
Local: Rua das Laranjeiras, 14 - Pelourinho (ref.: próximo ao Projeto Axé)


Você não vai ficar fora dessa, vai?